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jornal horizonte
 


Coluna "Ponto de Vista" -  janeiro de 2008

 

Existem alguns aspectos de nossa cultura que só se revelam quando temos a oportunidade de conhecer outros povos. Nesse mês de dezembro tive essa oportunidade ao visitar alguns países europeus e verifiquei que em todos os lugares pelos quais passei, ao revelar minha nacionalidade, sempre havia uma espécie de reação festiva, acompanhada às vezes de uma dançinha e alguns la-ra-la-ra-la-ra cantarolados de modo desajeitado. Pareceu-me que os europeus em geral, principalmente os franceses e ingleses, têm certeza de que vivemos um eterno carnaval. Ao mesmo tempo percebi certas reações destes povos que no Brasil seriam consideradas de extrema deselegância e nas situações em que as vivi, forma tidas por eles como corriqueiras. Por exemplo, ao abordar pessoas na rua pedindo informações sobre coisas simples como “Onde é a estação central?”, mesmo falando as línguas nativas, elas simplesmente fingiram não me entender e deram as costas sem cerimônia. Esse tipo de reação certamente seria extremamente condenável em qualquer lugar do Brasil. Esse foi um dos motivos de minha saudade de nossa língua, nossa cultura e nosso povo que sorri. Chegando ao Brasil, no aeroporto, distraidamente trombei em uma senhora. Depois de mais de um mês entre os europeus a enchi de desculpas, ao que ela simplesmente sorriu e continuou seu trajeto. Aí sim me senti em casa.

 

Francesco Napoli



Escrito por francesco às 11h52
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A pichação e os idiotas

 

A Rua e a calçada são públicas. E o lado de fora de meu muro? Pode ele sofrer alterações sem minha permissão? Hoje em nosso bairro, nos muros vemos inscrições ilegíveis, feias, aparentemente desprovidas de sentido, ao que chamamos de pichação. Um ato egocêntrico no qual o pichador quer que sua “marca” seja divulgada... Isso mesmo! Além de não ter nenhum tipo de engajamento a pichação segue as regras do jogo capitalista: o pichador quer se fazer conhecer por meio da marginalidade, ou seja, à margem do sistema que ele tenta imitar. No início do ano estive na Argentina e vi maravilhosas intervenções feitas com spray semelhantes às pichações, a diferença é que estas continham frases de cunho político, poemas marginais, ou apenas intervenções artísticas protestando contra as instituições argentinas. Isto fora os excepcionais grafites que nos arrebatam tamanho seu esplendor! Será que o fato do povo argentino ler muito mais que nós brasileiros tem a ver com isso? Precisamos saber discernir uma pichação egocêntrica de uma intervenção artística. Em nosso bairro temos pouquíssimos grafites nos muros, que, em minha opinião, são obras de arte, conseqüências saudáveis do cosmopolitismo e deveriam ser incentivados. Mas a prática da pichação para divulgar nomes de gangues e o apelido dos próprios pichadores é algo condenável por utilizar de um espaço público para interesses privados. E esta prática está cada vez mais crescente em nosso bairro, ao ponto de um condomínio na rua José Cleto oferecer cestas básicas às famílias carentes das proximidades a cada mês que o muro permanecer “limpo”. O espaço público deve ser usado para manifestações de cunho público. Usá-los para interesses pessoais é tão criminoso quanto um político que utiliza seu cargo para interesses próprios. Os gregos chamavam de idiota aquele cidadão que não se preocupava com a política. Etimologicamente a palavra idiota tem ligação com o termo “id”, ligado às pulsões e desejos de bens materiais e “ota” que em grego quer dizer casa, ou seja, aquele que ao invés de se preocupar com a polis (a cidade) só se preocupava com a sua casa (ota). Daí o sentido pejorativo dessa palavra entre nós hoje. Só podemos concluir uma coisa: Os pichadores são uns idiotas!

francesco napoli



Escrito por francesco às 14h29
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Escrito por francesco às 15h23
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                                                                                              Coluna Ponto de Vista

 

Nosso país é o Brasil. Mas quem inventou o Brasil não fomos nós. Quem inventou a idéia de país não fomos nós. Nós não somos europeus, não somos africanos, não somos aborígines. Viemos do esquecimento e queremos ser lembrados, ao menos pelo futebol, ou talvez pelo samba mas eu não sei sambar nem jogo bola tão bem assim... mas o Brasil é assim mesmo... Existem leis que não "pegam", impostos que não precisam ser necessariamente pagos e damos um "jeitinho" pra tudo... no dia 07 de setembro comemoramos nossa independência que foi no mínimo estranha, o filho brigou com o pai e disse que ficava, depois gritou independência ou morte mas ninguém ouviu. Nessa época tudo mudava, menos o Brasil...  época das luzes do esclarecimento e um novo país surgia mas era uma monarquia! Aí vem novembro e a proclamação da república que tardou mas chegou. República dos coronéis onde o brasileiro aprendeu o que seria a democracia vendendo seu voto por um par de sapatos ou de anéis. Tanto a independência quanto a proclamação da república não tiveram efetiva participação popular, chegaram de cima pra baixo e o povo só assistindo... depois vem o Vargas, o populismo, os militares, as diretas já, impeachment e agora reelegemos um presidente que veio de família pobre, o primeiro em nossa inusitada história, mesmo com todas denúncias de corrupção em seu governo. Quem são os culpados? Quem são os inocentes? O que é ser brasileiro? O que é o Brasil?

 

Francesco Napoli.

 



Escrito por francesco às 22h02
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Este é o blog do jornal horizonte. O Jornal Horizonte é o informativo comunitário do bairro Santa Cruz em Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil 

Aqui vamos publicar os textos escritos por Luiz Gimenes e colaboradores!

Sejam bem vindos! moradores do bairro santa cruz e do mundo!

 



Escrito por francesco às 12h51
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